quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Cabral promete UPP na Baixada, Niterói, São Gonçalo,e Itaboraí.

Cabral: “Vamos continuar a política de pacificação”
A menos de dois anos para o fim do seu segundo mandato, o governador Sérgio Cabral deu início ao plano de levar para a Região Metropolitana as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Com ampla aprovação na capital, as UPPs serão instaladas agora na Baixada Fluminense, Niterói, São Gonçalo e  Itaboraí. A medida foi anunciada na terça-feira por Cabral, durante a solenidade de posse do deputado Paulo Melo (PMDB) na presidência da Alerj, cargo para o qual foi reeleito. A decisão do governador obedece também à lógica das urnas. Segundo analistas políticos, Cabral quer, assim, influenciar a disputa eleitoral de 2014 e eleger o seu sucessor, o vice-governador Luiz Fernando Pezão. As UPPs seriam uma forma de minar o peso do ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR) no interior e do senador Lindbergh Farias (PT) na Baixada. Os dois são os prováveis concorrentes de Pezão.
— Segurança é nossa prioridade. Vamos continuar a política de pacificação. Não há outro modelo que seja capaz de reduzir os homicídios. Vamos avançar para Niterói, São Gonçalo, Baixada e Itaboraí. Continuaremos sendo implacáveis no combate ao tráfico e também à milícia, que é outro câncer criado pela ausência do Estado — disse Cabral.

Parte da estratégia do governo de conquistar apoio no interior com as UPPs já consta da lei orçamentária de 2013, sancionada por Cabral. Para agradar à base na Alerj, ele manteve 12 emendas dos deputados para as cidades que deveriam ganhar UPPs. Além de São Gonçalo, hoje administrada pelo PR, no orçamento consta a indicação de seis UPPs em Campos, base eleitoral de Garotinho, e uma em Caxias, cidade comandada por Alexandre Cardoso (PSB), que derrotou o candidato do governo em 2012. Cabral sancionou também emendas com indicações de UPPs em Quissamã e São João da Barra, administrados por prefeitos aliados. Em nota, o governo nega que a aprovação das emendas indique necessariamente os locais que terão UPPs. Isso porque cabe à Secretaria de Segurança decidir as cidades beneficiadas.

UPP, uma arma poderosa


Para analistas políticos, a escolha das cidades deve ser considerada como parte dos planos do governo para ajudar a eleger Pezão. Niterói, por exemplo, constava apenas da lista das emendas, mas agora de fato ganhará UPP. A cidade é administrada por Rodrigo Neves (PT), eleito com a ajuda de Cabral, e a medida pode ser um incentivo para que o petista ajude o PMDB a impedir a candidatura de Lindbergh. Segundo Paulo Baía, cientista político e professor da UFRJ, hoje as UPPs são uma arma poderosa na estratégia do governador.

— A ideia de Cabral será levar essa política bem aceita para as áreas onde Garotinho é muito forte, como é o caso do interior. Nesse ponto, Caxias e Niterói são também importantes, porque são cidades com peso eleitoral significativo na Região Metropolitana e que podem ajudar a limitar a votação de Lindbergh.

O cientista político do Iuperj Marcelo Simas lembra que a decisão de levar UPPs para o interior tem um lado positivo, independentemente do calendário. Mas ressalta a necessidade de se analisar melhor qual política de segurança seria mais adequada para o interior e a Baixada.


Fonte: O Globo.

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