segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

'Matou um pouco de nós', diz pai de jovem baleada após Réveillon no Rio.

 Parentes e amigos da jovem Tayenne Rodrigues, de 22 anos, assassinada no dia 1º de janeiro em Belford Roxo, Baixada Fluminense, fizeram um protesto na tarde deste domingo (4) e exigiram justiça. Como mostrou o Bom Dia Rio nesta segunda-feira (5), centenas de moradores de outros municípios também participaram da manifestação, que pediu paz em uma das regiões mais violentas da Região Metropolitana.







Pessoas vestidas de branco carregavam faixas pelas ruas. A família e os amigos de Tayenne se juntaram a desconhecidos que vieram prestar solidariedade. Edo Abreu, pai da vítima, leu uma mensagem durante a caminhada e mandou um recado para os autores do crime.
“Quando você sofre uma grande perda, cada dia será um recomeço. Vencer a saudade, o presente e o futuro. Você [criminoso] matou um pouco de nós”, desabafou.


O protesto ocorreu na Rua José Moacyr Filho quase na esquina da Avenida Joaquim da Costa Lima, no Centro de Belford Roxo, onde a jovem foi baleada. A caminhada terminou um quilômetro depois, debaixo de muita chuva, em frente à Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, que investiga o caso.



Cartaz do Disque-Denúncia
O Disque-Denúncia lançou na madrugada deste domingo (4) um cartaz para tentar ajudar a descobrir os responsáveis pela morte.

A instituição pede que qualquer detalhe sobre o crime, como nome, apelido e onde possam estar escondidos os responsáveis, seja denunciado, enviando uma mensagem de texto, vídeo ou fotos para o aplicativo de mensagens do WhatsApp do Portal dos Procurados (21) 96802-1650, ou entre em contato com a Central Disque-Denúncia pelo (21) 2253-1177 ou 0300-253-1177, para quem estiver fora da capital. O anonimato, segundo a instituição, é garantido.

Investigação
A Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense está investigando o caso como latrocínio, roubo seguido de morte. Pouco após o Réveillon, Tayenne deixou uma mensagem de voz no celular da mãe prometendo ter cautela ao não andar com o telefone na mão para evitar um possível assalto.


O corpo da estudante de psicologia foi velado na manhã da última sexta-feira no Jardim da Saudade, em Mesquita. Familiares e amigos participavam da cerimônia.

Jorge Pereira, de 77 anos, avô materno da jovem, não vê razões para o assassinato. "Era uma moça boa, que estava no último período da faculdade e trabalhava. Nós ficamos muito chocados com uma morte tão violenta, com tiros na cabeça", disse Pereira.
Ele contou ainda que a jovem entrou em contato minutos antes do crime. "Antes de chegar em casa ela ligou para a mãe para falar que estava perto. Um pouco antes de acontecer isso [crime]", contou o avô.
Aline Araújo e Tassiane Lima estudaram com Tayenne. Elas souberam da morte da amiga por meio de uma rede social. Aline acredita que não há justificativa para a morte. "Ela estava na esquina de casa. Foi um baque, um choque. Era uma pessoa alegre, feliz. Não tinha quem não gostasse dela", afirmou Aline.
Tassiane acredita que a jovem foi vítima da violência urbana. "Ela era uma pessoa excelente, tinha um trabalho excelente. Não tinha envolvimento com nada que não prestasse. Só a violência e a maldade explicam", falou Tassiane.
Tayenne Abreu passou a noite de Réveillon com amigos na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, e foi baleada quando voltava pra casa. Ela voltou de van com uma amiga, que ficou no veículo quando Tayenne desceu e foi caminhando sozinha até em casa, na Rua Icarai, em Belford Roxo. Ela teria sido abordada por criminosos uma rua antes de chegar em casa.

Hipótese
De acordo com a Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), a polícia trabalha com a hipótese de latrocínio. O delegado Wellington Vieira informou que agentes realizavam nesta sexta-feira diligências para localizar imagens que possam ter registrado o fato. Cinco testemunhas já prestaram depoimento.

Entre os depoimentos que já foram ouvidos destaca-se o de um motociclista que encontrou o corpo da jovem jogado na rua. Ele chamou alguns amigos e, junto com eles, a levou para o hospital, onde Tayenne chegou morta.

De acordo com as investigações, na madrugada que morreu, Tayenne pegou o metrô em Copacabana, desceu na Central, pegou um ônibus e depois uma van. No trajeto com a van, ela estava acompanhada por uma amiga, que permaneceu no veículo após a vítima descer porque ficaria em um ponto mais distante. Ao chegar em casa, menos de dez minutos após o crime, ela mandou mensagem para Tayenne falando que tinha chegado. Como não obteve resposta, acionou a família da jovem.

Segundo testemunhas, Tayenne teria sido abordada por um Gol branco que tinha um adesivo escrito "fé". Um dos criminosos teria puxado a bolsa de Tayenne, que se assustou e foi alvejada. O delegado Welligton Vieira acredita que este é um crime gerado pela oportunidade. "Eles provavelmente estavam passando, viram a moça sozinha e resolveram abordar."

O delegado falou ainda que os criminosos são daquela região. "Ela era uma pessoa normal, sem inimigos, o que leva a crer que foi um crime de oportunidade", afirmou Vieira.

O próximo passo das investigações e encontrar testemunhas que viram o crime e imagens de câmeras de segurança que possam ter flagrado o assassinato. "O crime aconteceu entre 6h e 7h. E um horário no qual algumas pessoas, como donas de casa, já estão acordadas. Por isso eu peço que essas pessoas procurem a Divisão de Homicídios ou liguem para o Disque- Denúncia, caso não queiram se identificar", afirmou o delegado.

Por meio da assessoria de imprensa, o MetrôRio, onde a jovem trabalhava, se solidarizou com o ocorrido e disse que está prestando total apoio à família da vítima.

Fonte: G1

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