quarta-feira, 1 de abril de 2015

‘Não toco em favela porque não quero dar tapinha nas costas de traficante e miliciano’, diz Seu Jorge ex morador de Belford Roxo.

Os cabelos estão raspados. O cavanhaque desapareceu. Mas a voz, o estilo e a fala sem firulas ou tendência a ser politicamente correto continuam os mesmos. Seu Jorge está no Brasil para lançar “Músicas para churrasco Vol. 2” e conversou com a coluna num bar de sua propriedade, em São Paulo, sobre o novo trabalho, a família, os INVESTIMENTOS, carrões, vida na favela e sua rotina em Los Angeles, onde vive.
É na cidade californiana que ele mora com a mulher Mariana Jorge e as filhas Luz Bella Jorge e Flor de Maria Jorge há três anos. Maria Aimée Jorge, outra filha do cantor e ator mora com a mãe, em São Francisco. “Precisava morar fora do Brasil para cuidar da minha família. Lá, a gente consegue levar uma vida normal. Além de ter uma boa educação para as meninas”, justifica ele, que não vê contradição em seu exílio voluntário: “Não sou criticado por isso. Pelo contrário. Onde nasci vão dizer que o negão chegou lá!”.
Quando está nos EUA, Seu Jorge não se dá ao trabalho de ver o noticiário sobre o seu país. “Quando estou fora, procuro não saber nada do Brasil. O difícil é ficar longe da minha família.Agora, já são três meses. As meninas estão crescendo rápido e sofro por não estar perto delas. O trabalho aqui estava invadindo a minha casa. Fui por causa da família, para ter paz”, explica.
Nem só de música vive Seu Jorge hoje em dia. Além de suas esporádicas incursões pelo cinema, oartista diversifica seus negócios. Atualmente, além de uma cervejaria, decidiu investir no ramoesportivo. Ele empresaria — e patrocina — um jogador da base do Botafogo. Zyan tem do cantor o pagamento dos estudos e a certeza de um futuro. “Ele é muito bom, vi nele um talento e decidi empresariar”, conta Seu Jorge.

Talvez por ele próprio se lembrar da vida dura que levou morando NUMA em uma comunidade de  Belford Roxo, na Baixada Fluminense. E em comunidade ele nunca mais voltou. Pode parecer esnobe, mas Seu Jorge tem lá suas razões para não tocar num lugar que o lembra de suas próprias origens. “Não toco em favela. Custei muito a sair de lá. De levar porrada de policial, de viver num lugar com esgoto a céu aberto. As pessoas podem ser felizes lá por causa das relações que criam, da familia. Mas não é bom morar em favela. Não toco porque não quero dar tapinha nas costas de traficante e miliciano. Trabalhei muito pra chegar onde estou e não quero ver aquilo de novo”, avalia.

No entanto, Seu Jorge diz que levaria seu suingue e molejo para uma comunidade com UPP. “Tocaria NUMA comunidade pacificada, mas nunca fui convidado“, diz.

A forma direta e quase seca com que fala sobre o país e suas mazelas podem sugerir um cara que virou as costas e se deslumbrou. Ele nega: “Acho que vivo meu melhor momento. Mas sou artista e inacessível só no palco. Fora dele, tiro foto, converso, sem deslumbramento. Foi difícil chegar onde cheguei e agradeço pelo que estou vivendo hoje”.

O bolso realmente vai bem, obrigado. E os investimentos em negócios não param. Mas em mimos para ele próprio também não. “Continuo tendo paixão por carros. Tenho um Porsche, e costumo viajar de São Paulo para o Rio com ele. Meu sonho agora é ter um McLaren”. O modelo mais caro lançado pela marca no Salão de Genebra, no começo de março, custa cerca de R$ 1 milhão.

Fonte: Extra

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